Orçamento de pessoal: o guia passo a passo para o budget de folha 2027
Como montar o orçamento de pessoal de 2027 passo a passo: baseline, dissídio, headcount, benefícios e o impacto da reoneração da folha no budget de folha CLT.
O orçamento de pessoal é a previsão do custo total da folha para o próximo ano, montada sobre a folha atual mais os incrementos já contratados pelo calendário (dissídio, provisões, benefícios e contratações planejadas). Não é a folha de janeiro multiplicada por doze. Veja o passo a passo para fechar o budget de folha de 2027 com um número que se sustenta no comitê.
O orçamento de pessoal não é um número fixo: é a folha atual mais incrementos previsíveis (provisões, dissídio, contratações) que crescem ao longo do ano até o teto aprovado. Quem planeja vê a curva antes; quem não planeja só descobre em dezembro.
#O que é orçamento de pessoal?
Orçamento de pessoal é o planejamento financeiro do custo de quem trabalha na empresa ao longo de um ano: salários, encargos, provisões, benefícios e os movimentos previstos de contratação e desligamento. Ele responde a uma pergunta que o board sempre faz: quanto a folha vai consumir do caixa em 2027, e por quê. Para a maioria das empresas brasileiras, a folha é a maior linha de despesa, então errar o orçamento de pessoal por 5% costuma valer mais do que acertar todo o resto.
O erro mais comum é orçar pela folha de um mês vezes doze. Essa conta ignora o 13º, o terço de férias, o dissídio da data-base, o reajuste anual dos benefícios e as contratações já aprovadas. O resultado é um número que estoura no meio do ano, quando ninguém mais tem margem para reagir. Orçar pessoal bem é, antes de tudo, separar a folha atual (o baseline) dos incrementos previsíveis que se somam a ela mês a mês.
#Quando começar o orçamento de folha de 2027?
Comece entre julho e agosto, com a aprovação prevista para outubro ou novembro. O ciclo de orçamento (o budget season) das empresas brasileiras se concentra no último trimestre, mas quem deixa para começar em outubro perde a parte mais valiosa do processo: o tempo de simular cenários antes de comprometer o número. Sem isso, o orçamento de pessoal vai para o comitê no feeling, e qualquer pergunta difícil o derruba.
Comece o orçamento do ano seguinte em julho ou agosto. Quem deixa para o último trimestre aprova no susto: sem tempo de simular cenários, o número vai para o board no feeling.
Começar cedo também resolve a dependência de dados de terceiros. O índice do dissídio de algumas categorias só sai perto da data-base, o reajuste do plano de saúde chega na renovação da apólice, e a folha de dezembro (com 13º) distorce qualquer média feita às pressas. Quem começa em julho tem espaço para usar premissas bem fundamentadas em vez de chutes.
#Como montar o orçamento de pessoal passo a passo?
Monte o orçamento em cinco etapas, sempre partindo do baseline e somando um incremento de cada vez. Essa ordem evita o erro de misturar tudo num número só e perder a rastreabilidade quando o board pergunta de onde veio o aumento.
1. Feche o baseline (a folha atual, anualizada)
Pegue o custo total da folha de um mês representativo (sem distorções de 13º ou rescisões pontuais) e anualize pelo fator de aproximadamente 13,3, que embute o 13º e o terço de férias. Custo total significa salário mais encargos (cerca de 61% no Lucro Real ou Presumido) e benefícios, não só o bruto. Como detalhamos no guia Quanto custa um funcionário CLT, uma vaga de R$ 8.000 consome perto de R$ 14.000 por mês.
2. Some o reajuste da data-base (dissídio)
Aplique o reajuste anual de cada categoria a partir do mês da data-base, não de janeiro. Para 2026 e 2027, os acordos coletivos têm girado em torno de 4% a 6%, acompanhando o INPC mais ganho real. Como o reajuste vale desde a data-base, lembre do retroativo: ele entra como uma despesa pontual no mês do acordo.
3. Adicione mérito, promoções e movimentação de headcount
Separe o reajuste por mérito (individual, por desempenho) do dissídio (coletivo, por categoria), e modele as vagas previstas com a data de entrada real. Uma contratação de julho pesa meio ano no orçamento de 2027 e um ano cheio em 2028. Distinga vaga nova (custo incremental) de reposição (já estava no baseline), como explicamos no planejamento de headcount.
4. Reajuste os benefícios pela inflação de cada um
Não reajuste todos os benefícios pelo mesmo índice. O plano de saúde sobe pela inflação médica, que tem ficado perto de 13% ao ano, bem acima do IPCA. Vale-refeição e vale-transporte acompanham acordos e tarifas locais. Tratar a saúde como uma linha à parte costuma ser a diferença entre um orçamento que fecha e um que estoura.
5. Provisione rescisões e a margem de risco
Reserve uma provisão para desligamentos com base no turnover histórico. Se a empresa perde 15% do quadro por ano, o orçamento precisa carregar verbas rescisórias e a multa de 40% do FGTS para essa fatia. Pular essa etapa é o caminho mais rápido para um orçamento bonito no papel e furado na prática.
- Folha atual (baseline anualizado)R$ 1.000.000
- Dissídio / data-base (~5%)R$ 50.000
- Mérito e promoçõesR$ 15.000
- Headcount líquido planejadoR$ 38.000
- Reajuste de benefícios (saúde ~13%)R$ 16.000
- Reoneração da folha (setores em transição)R$ 12.000
#O que muda no orçamento de pessoal de 2027?
Três mudanças de 2025 a 2028 alteram a conta da folha e precisam entrar no orçamento de 2027 desde já: a reoneração gradual da folha, a reforma tributária e as tabelas fiscais reajustadas. Ignorar qualquer uma delas produz um número desatualizado antes mesmo de o ano começar.
| Mudança | O que entra no orçamento de 2027 |
|---|---|
| Reoneração da folha (Lei 14.973/2024) | Os 17 setores antes desonerados voltam à alíquota cheia de forma gradual; em 2027 a contribuição sobre a folha sobe para 15% (e zera sobre a receita em 2028). Se a empresa está nesses setores, o encargo previdenciário do ano que vem é maior. |
| Reforma tributária (IBS/CBS) | O crédito de IBS/CBS sobre benefícios como vale-refeição, vale-alimentação e plano de saúde passa a depender de previsão em convenção ou acordo coletivo (CCT/ACT). Vale revisar os instrumentos antes de orçar o líquido desses benefícios. |
| Tabelas fiscais 2026 | Teto do INSS em R$ 8.475,55 e salário mínimo em R$ 1.621 (reajuste de 3,9% pelo INPC). O teto patronal e o piso afetam o cálculo do custo por faixa salarial. |
#Como apresentar o orçamento de pessoal ao board?
Apresente o orçamento como uma ponte do baseline ao número final, com cada incremento rastreável e comparado a cenários. O comitê confia em um número que ele consegue desmontar: quanto é dissídio, quanto é contratação, quanto é benefício. A pergunta mais perigosa numa reunião de orçamento é de onde veio esse aumento, e a melhor resposta é um gráfico em barras que mostra cada camada.
Leve pelo menos dois cenários além do caso-base: um conservador (dissídio no piso, contratações adiadas) e um de crescimento (plano de vagas cheio). Mostrar o intervalo dá ao board o controle da decisão e tira a discussão do terreno do achismo. É o mesmo princípio do FP&A de folha de pagamento: simular antes de comprometer.
Um bom orçamento de pessoal não termina na aprovação: ele vira o forecast de pessoal que você revisa ao longo do ano, e a pauta fixa da revisão trimestral de headcount é o que mantém essa meta honesta até dezembro. Para montar o seu, comece pelo guia de FP&A de folha, calcule o impacto do reajuste na calculadora de dissídio e revise a definição de provisão no glossário. Quer ver na prática? Conheça a comparação de cenários do Gridzi.
Dados fiscais: teto do INSS de R$ 8.475,55 e reajuste de 3,9% pelo INPC (INSS/Gov.br, 2026); salário mínimo de R$ 1.621. Reoneração gradual da folha conforme a Lei 14.973/2024 (2025 a 2028). Crédito de IBS/CBS sobre benefícios conforme a regulamentação da reforma tributária. Os valores do exemplo são ilustrativos; o custo real depende do regime tributário, dos benefícios e das convenções coletivas aplicáveis. Última revisão: junho de 2026.