Quanto custa um funcionário CLT? O custo total além do salário
Um CLT de R$ 5.000 custa cerca de R$ 8.000 à empresa. Veja a decomposição do custo — encargos, 13º, férias e benefícios — com tabelas, exemplos e calculadora.
O salário é só a ponta do custo. No regime CLT, um colaborador que ganha R$ 5.000 não custa R$ 5.000 para a empresa — custa cerca de R$ 8.000 por mês, e isso antes de vale-refeição, vale-transporte e plano de saúde. Entender essa diferença é a base de qualquer decisão sobre contratar, reajustar ou cortar. Neste guia, o Time Gridzi abre cada real desse custo, com números e fontes.
#O custo de um funcionário CLT, decomposto
O custo total de um CLT é a soma de quatro blocos: o salário bruto, os encargos sociais (INSS patronal, FGTS, RAT e Sistema S), as provisões de 13º e férias, e os benefícios. Quando você junta os três primeiros, chega a um fator de aproximadamente 1,6× a 1,8× sobre o salário — a famosa regra de bolso de “multiplicar por 1,8”, que serve para uma estimativa rápida, mas esconde o que de fato compõe o número.
- Salário baseR$ 5.000
- INSS patronal (20%)R$ 1.000
- FGTS (8%)R$ 400
- RAT + Terceiros (~6,8%) · Sistema SR$ 340
- 13º + férias + 1/3 (~19,4%) · provisõesR$ 970
- Encargo sobre provisões (Grupo C, ~7%)R$ 350
Um salário de R$ 5.000 custa cerca de R$ 8.060 à empresa — fator 1,61×, ainda sem benefícios (VR, VT, plano de saúde).
Repare que o salário representa pouco mais de 60% do custo total. O restante são obrigações que a empresa recolhe ou provisiona todo mês. Para entender o que é cada sigla — e por que a soma chega a +61% sobre o salário —, veja nosso guia dedicado a encargos da folha (Grupo A, B e C).
#Salário bruto não é salário líquido (nem custo)
Três números costumam ser confundidos, e a confusão custa caro no planejamento:
- Salário bruto: o valor combinado em contrato, antes dos descontos do colaborador.
- Salário líquido: o que cai na conta da pessoa, já descontados INSS e IRRF. Quanto isso dá exatamente em 2026 nós mostramos em como calcular o salário líquido CLT.
- Custo do empregador: o bruto mais encargos e provisões. É este o número que pesa no orçamento — e o único que importa para decidir headcount.
#Quanto custa, na prática, uma contratação
Quando alguém pergunta “quanto custa contratar um analista de R$ 8.000?”, a resposta honesta não é R$ 8.000. Somando encargos (~61%) e um pacote básico de benefícios, a vaga custa perto de R$ 14.000 por mês — e mais de R$ 180 mil no ano, porque o custo anual não é o mensal × 12.
- Salário anunciadoR$ 8.000
- Encargos CLT (~61%)R$ 4.880
- Benefícios (VR, VT, saúde)R$ 1.200
A vaga de R$ 8.000 custa de fato cerca de R$ 14.080/mês — multiplique por 13,3 para o ano e some rescisão ao planejar.
| Item | Mensal | Anual (≈13,3×) |
|---|---|---|
| Salário | R$ 8.000 | R$ 106.400 |
| Encargos CLT (~61%) | R$ 4.880 | R$ 64.904 |
| Benefícios (VR, VT, saúde) | R$ 1.200 | R$ 14.400 |
| Custo total | R$ 14.080 | ≈ R$ 185.704 |
#O que muda o custo para mais ou para menos
Regime tributário
Empresas no Simples Nacional recolhem a contribuição previdenciária dentro do DAS (com exceções por anexo) e, em muitos casos, não pagam os 20% de INSS patronal nem o Sistema S da mesma forma — o que reduz o fator de custo. Já no Lucro Presumido/Real, vale a tabela cheia de encargos que usamos como referência aqui.
FAP e RAT
O RAT (Risco Ambiental do Trabalho) varia de 1% a 3% conforme a atividade e é multiplicado pelo FAP (Fator Acidentário de Prevenção), que vai de 0,5 a 2,0. Uma empresa com bom histórico de acidentes paga menos; uma com histórico ruim, o dobro.
Tipo de contrato
PJ e estágio têm estruturas de custo completamente diferentes — sem FGTS e INSS patronal nos mesmos moldes, mas com outras contrapartidas e riscos. Comparamos os dois modelos, com ponto de equilíbrio e risco de vínculo, em CLT vs PJ: o custo real para a empresa. Misturar tipos de contrato num planejamento sem tratar cada um corretamente é uma das fontes mais comuns de erro de orçamento.
#Do custo de uma pessoa ao custo do time
Calcular o custo de um colaborador é o primeiro passo. O desafio real aparece quando você precisa responder perguntas de time inteiro: cabe mais uma contratação no orçamento? Quanto pesa o dissídio deste ano? E se promovermos três pessoas? Cada uma dessas perguntas é um cenário — e montá-las à mão, numa planilha, é onde finanças perde dias.
É por isso que tratamos custo de pessoal como FP&A de folha: partir de um baseline confiável, simular hipóteses e comparar o impacto. Se a sua próxima decisão é contratar, comece por como saber se cabe mais uma contratação. Se é o reajuste anual, veja como planejar o dissídio coletivo. E para que o número que vai ao board seja confiável, a base é o cálculo padronizado e auditável.
Fontes da composição de encargos: legislação trabalhista e previdenciária (INSS patronal, FGTS, RAT/SAT, contribuições a terceiros/Sistema S, 13º salário e férias + 1/3 constitucional). As alíquotas citadas são de referência e variam por regime tributário, atividade (CNAE), FAP e convenção coletiva. Confirme sempre os percentuais vigentes para a sua empresa.